‘Vidas Negras Importam’: Advogado traz tema para discussão em Dourados

 

 

O Advogado douradense e Conselheiro Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Wander Medeiros, colocou em pauta recentemente um debate sobre o tema ‘Vidas Negras Importam’. Devido ao distanciamento social provocado pela pandemia do coronavírus o encontro com o Advogado André Costa (Autor da separata ‘Escritos Sobre Racismo Igualdade e Direito) e com a Professora Maria de Lourdes (Graduada e Mestre em História) aconteceu de forma virtual, através de uma live transmitida pelo Youtube. Também participou da live a acadêmica de Direito Sanny Brunna que falou sobre o desafio de ser uma estudante negra.

A mensagem ‘Vidas Negras Importam’ está sendo bastante difundida a nível mundial. Essas articulações sociais tem objetivo de denunciar o racismo. Apesar da força do movimento, não é difícil de encontrar uma réplica dizendo: “Todas as vidas importam”. Para Wander Medeiros, algumas pessoas entenderam erroneamente a afirmação. “Considerar que o debate sobre preconceito não é relevante é um dos pontos que demonstra como o racismo está naturalizado em nossa sociedade. Quando se diz que vidas negras são importantes não quer dizer que as outras não são”, explicou Medeiros, idealizador da live.

“É uma pauta não superada. Ainda existe racismo. Apesar de ser um movimento que surgiu a partir do assassinato de George Floyd nos EUA, há casos extremamente relevantes no Brasil que fazem com que essa chamada ‘Vidas Negras Importam’ seja relevante para o país. Aqui temos um grande problema, não conseguimos enfrentar o racismo porque as pessoas insistem em afirmar que não são preconceituosas, mesmo sendo. Tem uma pesquisa da DataFolha diz que 96% dos brasileiros acreditam que tem racismo no país e 93% diz que não é racista, ou seja, o racismo existe mas as pessoas não querem assumir”, destacou Dr. André Costa.

“Onde a maioria dos negros vivem? Onde trabalham? Eles moram no bairros mais pobres, estudam nas escolas de periferia (onde sabemos que o Ensino é inferior as demais), a chance de chegar a Universidade é pouca, porém de cair na marginalidade é muito grande. Se perguntarmos quem ficaria feliz em ser tratado como os negros são em nossa sociedade, acredito que ninguém teria a audácia de dizer que ficaria, mesmo assim ainda há aqueles que insistem em dizer que somos privilegiados devido as cotas”, indagou a professora Maria de Lourdes.

Para o Advogado André Costa a libertação dos escravos no Brasil não foi suficiente para coloca-los em igualdade com os brancos e ainda existe uma dívida histórica que precisa ser reparada para que as próximas gerações da raça não sofram tanto quanto a atual. “Libertou-se os negros, mas eles saíram das fazendas sem perspectiva nenhuma de emprego, de moradia, sem indenização trabalhista e ainda tiveram que lutar contra a revolta dos patrões. O que restou foram as ruas e os morros, e sem dúvidas o preconceito e a atual situação dos negros no Brasil são reflexos desse passado”, afirmou André.

O Advogado André Costa afirmou que é um grande defensor das ações afirmativas, a qual ele acredita ser uma forma de reduzir desigualdades. “É preciso falar sim que tem preconceito, que tem racismo. Jogar embaixo do tapete acumula e piora a situação”. “Muitos dizem: Vocês querem tudo para o negro! Mas esse discurso é mentiroso e cruel. O que queremos são as mesmas oportunidades”, finalizou.

FONTE: ASSEsSORIA

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